A aula inaugural do projeto Ajeum do Benin encheu de tempero o segundo dia do Festival da Cidade 2015. Realizada nesta segunda-feira (23), como parte do evento que celebra o aniversário de 466 anos de Salvador, a aula aconteceu na Casa do Benin e foi aberta a todos aqueles que querem saber mais sobre a arte da culinária afro-brasileira.

O público pôde aprender detalhes da preparação de pratos característicos da culinária do Benin, Moçambique, Nigéria e Angola, como kúkún (bolinho de batata), opá (banana-da-terra frita) e salada de quiabo, entradas preparadas na aula inaugural. À frente da preparação dos quitutes, as reconhecidas chefs Angélica Moreira, do projeto etnogastronômico Ajeum da Diáspora, e Ana Célia Batista, do restaurante africano Zanzibar.

“A Casa do Benin é um espaço muito rico, carregado de referências valiosíssimas no diálogo entre Brasil e Benin. Poder ministrar, pela primeira vez aqui, um curso de culinária que objetiva fazer esse resgate da cozinha de lá é muito importante”, destacou a chef Angélica Moreira.

Além de integrar a programação do Festival da Cidade, que é promovido pela Prefeitura de Salvador, com patrocínio do Shopping da Bahia, o evento abre a temporada de oficinas gratuitas de Gastronomia Africana do projeto Ajeum do Benin, promovido pela Casa do Benin. O objetivo é preservar e divulgar a culinária africana, e ainda oferecer formação e possibilidade de geração de renda à comunidade.

Presente ao evento, o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, destacou o diferencial do espaço. "Gastronomia é cultura e na Casa do Benin sempre tivemos esse diferencial de ter disponível uma cozinha. Portanto, nada melhor do que brindar a cidade no seu aniversário aproveitando esse espaço integralmente, realizando essas oficinas e trazendo de volta à Casa uma das maiores autoridades da gastronomia africana do país, que é Ana Célia Batista", pontuou.

Aluna da primeira turma, Simone Santana, contou que vibrou com a possibilidade de participar gratuitamente das oficinas. "A culinária africana faz parte de todos nós que vivemos aqui e somos filhos daquele continente. Sou quituteira, estou em busca de profissionalização e não poderia perder essa oportunidade", disse.

As inscrições aconteceram entre os dias 16 e 20 de março com as três turmas iniciais, com seis alunos cada, sendo formadas nos primeiros dias de inscrição. As aulas acontecem durante um mês, semanalmente (às segundas, terças ou quintas-feiras), das 13h às 17h, no Espaço Jeje Nagô, antigo restaurante da Casa do Benin. Além disso, já estão fechados os grupos para os meses de maio e junho, formando nove oficinas, com 54 alunos ao todo.