"Cunene – Territórios do Sul" integra programação do Festival da Cidade 2015 e pode ser visitada até 30 de abril

Fotografias em preto e branco que retratam a história, costumes e tradições dos povos que habitaram a região sul de Angola antes da ocupação européia. Essa é a principal característica da exposição “Cunene – Territórios do Sul”, assinado pelo cineasta e jornalista baiano Juca Badaró, com curadoria da jornalista e fotógrafa Aline Cavalcante, e que está exposta na Sala Lina Bo Bardi da Casa do Benin, no Pelourinho, das 9h às 18h. A atração é parte integrante do Festival da Cidade 2015, promovido pela Prefeitura com patrocínio do Shopping da Bahia em homenagem aos 466 anos de Salvador.

As imagens foram feitas durante as filmagens de um documentário sobre o dia-a-dia das famílias de Cunene, província localizada no Sul angolano, que foi palco de grandes conflitos e da resistência ao colonialismo português. Os registros incluem agricultores, criadores de gado e pescadores, e resgata a história e a importância dos povos Kwanhama, símbolos da resistência contra o colonialismo português. “Essa resistência foi importante porque conseguiu evitar que a cultura dos povos do Cunene fosse destruída e desrespeitada pelas práticas repugnantes do colonialismo português”, pontua Juca Badaró.

O cineasta comentou também a importância de a exposição fazer parte da programação de aniversário da cidade. "É um presente para mim, soteropolitano que sou e apaixonado por minha cidade. Mas penso que é também uma oportunidade de repensarmos a forma como vendemos nossa cultura para outros estados e para fora do país", salientou.

Para a gerente de Arquivo Histórico e Museu da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Lucimar Oliveira, o objetivo da exposição é reforçar a relação entre a Bahia e o continente africano. “Essa exposição é o resultado do trabalho do cineasta e repórter baiano, que está trabalhando em Angola e visitou a zona rural de Cunene identificando uma forte ligação com a zona rural da Bahia. Então a Casa se propõe a abrir esse espaço e conseguir cumprir o seu propósito de resgatar os laços culturais”, pontuou.